2012

Impressão jato de tinta sobre papel de algodão


(100 x 109 cm)

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Todos os nomes é uma ampliação fotográfica de um minúsculo bloco de texto da edição da segunda-feira, dia 16 de fevereiro de 2004, ano XXX, Nº 31, parte V, do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Constam aí os nomes completos, em ordem alfabética, de meus colegas de classe que concluíram no ano anterior o ‘Curso Ensino Médio — formação geral’ na escola franco-brasileira Lycée Molière.


Mas não se trata tanto de reavivar aqui uma velha e já surrada crítica à burocracia estatal, quanto de refletir sobre o efeito produzido pela justaposição paradoxal das palavras ‘diário’, vinda de um léxico da vida privada, e ‘oficial’, do poder público. E, frente à imagem de sua própria experiência duplicada pelo Estado, de fazer uso positivo de tais mecanismos na construção de uma narrativa documental sobre si e o mundo ao redor.

Talvez seja este também o sentido profundo da revelação do protagonista de José Saramago que empresta seu nome a esta obra. Funcionário anônimo da Conservatória Geral do Registro Civil de Lisboa, ‘mundo e centro do mundo’ em suas próprias palavras, este dá-se conta que nenhuma informação sobre qualquer pessoa estará jamais garantida “sem a inclusão duma prova documental, ou sua cópia fiel, da existência, não só real, mas oficial, dos biografados”.