2017

 

Instalação:

300 m de bandeirolas multicolores em papel de seda, barbante e tinta spray branca aplicada em estêncil.

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Quadrilha é uma obra feita especialmente para uma exposição de temática "junina" que aconteceu no Solar dos Abacaxis,

no Rio de Janeiro. Ao longo dos espaços do antigo casario estenderam-se mais de 300 metros de bandeirolas multicolores típicas dessa festa. Fundidas à decoração do evento, elas carregavam a frase “Quem não está preso está hoje no Planalto”, que se repetia, letra por letra, bandeira por bandeira, cômodo por cômodo.

 

Trata-se de uma declaração feita poucos dias antes por Joesley Batista, diretor do grupo J&F, à revista Época, ainda no contexto de sua delação premiada à Operação Lava Jato. Embora o empresário tivesse proferido o termo “organização criminosa”, a entrevista foi às bancas estampando a manchete sensacionalista: “[Michel] Temer é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil”. Em resposta, o homem de confiança do presidente, Rodrigo Rocha Loures -- preso em flagrante com uma maleta com R$ 500 mil de propina -- afirmou que o próprio Joesley seria o tal “chefe de quadrilha”. Acusação essa, já feita inúmeras vezes ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por colunistas da revista Veja, por locutores da Radio Jovem Pan e pelo deputado federal (e pré-candidato à presidência), Jair Messias Bolsonaro. Tanto Joesley quanto Temer e Lula, por meio de seus representantes legais, já tentaram processar uns aos outros pelo crime de calúnia e difamação, mas nunca obtiveram êxito. 

 

A obra é também uma homenagem à obra As guirlandas que o artista francês Daniel Buren apresentou na Documenta 7, em Kassel, em 1982.