2016 - 18

Em colaboração com Lucas Cureau e Patricia Tinoco

03 mesas de luz e 326 diapositivos

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Entre 2008 e 2011, fotografei de maneira sistemática a primeira passagem de todas as visitas que recebi em meu exíguo apartamento no período em que vivi como estudante em Paris. Compilei, assim, um arquivo com mais de 300 imagens, em sua maioria de jovens em poses descontraídas, todos posicionados em um mesmo corredor sob um letreiro vermelho com a palavra em português: APARELHO.

O nome era uma homenagem aos locais usados por diversos grupos de esquerda para reuniões e também como moradia temporária, durante o enfrentamento à ditadura militar brasileira (1964-1985). E, em especial, à trajetória de meu pai, Silvio Jablonski, estudante de engenharia que, aos 23 anos, viveu em um desses “aparelhos” comunistas, até ser levado em agosto de 1971 na “Operação Bandeirantes” (OBAN) para a sede do DOI-CODI de São Paulo, onde seria preso e torturado.

 

Através de um jogo de espelhos, a obra propõe trazer para o público do presente aquela correlação fundamental entre a experiência individual da juventude e o despertar coletivo de uma consciência política, que marcou tão profundamente os anos 1960 e 70. Afinal, boa parte daqueles militantes do passado era composta de jovens, na faixa de seus vinte anos, e o período vivido nesses apartamentos clandestinos representou também, para muitos deles, uma primeira experiência de liberdade longe da repressão de seus próprios lares.