2012 - 16

Instalação: 

2 folhas formato A4, 1 fita cassete e case sobre 3 painéis de madeira (250 x 180 cm cada) com recorte vinílico e televisão de tubo. 

 

Video digital, 10:28', cores, som. Link para Vimeo 

Quadro:

duas folhas A4 e fita cassete sobre impressão em jato de tinta sobre papel de algodão.
(71,2 x 49,5 cm)

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Astrologicamente incompatível é uma resolução formal, anunciada aos 27 de março de 2012, na forma de uma fala na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, por ocasião de um seminário sobre a obra póstuma da professora e amiga Claudia Castro.


Recém-chegado ao Brasil após a conclusão de um mestrado burocrático na mesma disciplina, já não era mais possível pensar no ideal filosófico que Claudia ensinava em suas aulas sem me ver confrontado com a imagem das inúmeras decepções acadêmicas que precederam, coincidência ou não, a sua breve luta contra o câncer. E para dizer tudo, não me parecia fazer justiça à sua memória homenageá-la nos termos mesmos daquilo que, no fim das contas, lhe havia feito infeliz: a Filosofia.


A resolução, manifesta no instrumento jurídico que trouxe a público em minha fala, lê-se como uma tentativa de anular a validade de meus títulos acadêmicos - e assim, meu "destino" de filósofo, tal como expresso na carta astral que me fora dada um dia por Claudia. A ação se deu no Departamento de Direito da PUC, não apenas porque esta era a disciplina de graduação de Claudia e ali ainda tinha amigos, mas porque uma sala não fora cedida para o evento póstumo no Departamento de Filosofia dessa mesma universidade.

 

Valendo-me de um dispositivo jurídico polêmico (um professor interrompe minha fala, escandalizado com a ideia de se "renunciar a um direito"), decido acelerar esse inevitável processo de ruína acadêmica; não mais, porém, pela adesão irrestrita a um ideal desvinculado das contingências políticas da universidade mas, ao contrário, pela desfiliação total da disciplina: “Por meio desta, não pertenço mais à Filosofia”.